3 coisas (talvez 4) que podemos aprender com o iPhone X

Um texto sobre como a Apple transformou problemas em diferenciais
27/11/2017
Postado em:
27
nov

Todo design tem uma história, e toda história tem alguma coisa pra nos ensinar.

Desde que foi anunciado, o iPhone X surpreendeu – principalmente por ser tão diferente dos modelos anteriores. Essa foi uma das mais radicais variações do iPhone original, e até agora – ou, quem sabe, por causa disso – uma das melhores versões de acordo com a maioria dos usuários assíduos dos smartphones da Apple.

Dito isso, vamos analisar rapidamente o design do produto: display e traseira totalmente de vidro, laterais arredondadas, e por aí vai. Opa, eu quase ia me esquecendo de um detalhe: até o momento em que este texto foi escrito, a tecnologia ainda não permitia que um smartphone tivesse o display toda preenchido por uma tela sem uma interferência para o altofalante, a câmera e alguns sensores, e essa é a primeira coisa que a Apple nos ensinou.

 

1. Transformar um problema em um diferencial

2017 foi o ano de “quanto menos borda, melhor” para os gadgets com tela. Há algum tempo existiam aparelhos trazendo aos poucos esse conceito, mas foi neste ano que as grandes marcas abraçaram a causa. A Apple chegou muito perto de trazer um aparelho com a frente completamente de tela, mas não vamos nos fingir de bestas: tem um negócio invadindo a tela, e isso é bem estranho para o visual.

O iPhone X não foi o primeiro smartphone a ter um display quase sem borda e uma invasão na tela. Além de alguns dispositivos da Samsung, LG e algumas outras, o Essential Phone tem um espaço para câmera e sensores no meio da tela – menor, mas tem. Mas a diferença aqui é muito simples: é a primeira vez em que isso foi transformado em um benefício.

Em seu novo Guia de Desenvolvedores, a Apple diz que o ‘entalhe’ do iPhone X, como está sendo chamado, deve ser abraçado, mas como esse negócio horrível, alguns dizem, pode ser abraçado?

Obrigado por perguntar!

Considerando que o entalhe rouba um bom espaço na tela – espaço utilizado por várias informações importantes, como hora e notificações – os ícones foram substituídos por cores: azul e verde determinam o caráter da notificação. Pronto, primeiro problema resolvido.

Agora, as bordas são usadas de maneira muito mais intencional, responsiva e útil.

Observe como o botão de ‘ok’ (done) encaixa bonitinho para confirmar a organização dos apps enquanto, na esquerda, o ícone verde (citado acima) indica uma atividade on going, como uma ligação. Assim, notificações de atividades on going deixam de tomar a tela toda e pausar suas atividades.

“O problema das barras de status é que, uma vez que elas existem, as pessoas vão enche-las e poluir o layout com porcarias inúteis”

 

Uma das maiores reclamações é: se você está vendo um vídeo em formato horizontal e dá um zoom nele, o entalhe vai atrapalhar, mas aqui vai uma dica: esse é um smartphone criado para ser usado na vertical, assim como o conteúdo nesse formato vem ganhando força em aplicativos como Snapchat, Instagram e até mesmo o YouTube – que adaptou-se aos vídeos verticais há um tempo. E, ao que tudo indica, esse é o nosso novo formato, porque os mileniais não gostam muito de ter que se adaptar a alguma coisa (como virar o smartphone o tempo todo, por exemplo) e, sim, que as coisas se adaptem a eles (ou a nós?).

É perfeito? Talvez não agrade a alguns – que têm milhares de opções de smartphone para comprar. Mas uma coisa é certa: um problema acaba de se transformar em um benefício muito útil.

 

2. Humanizando a tecnologia

O Face ID é uma tecnologia singular, é muito mais que um upgrade do reconhecimento de impressões digitais para o reconhecimento facial, até porque vários aparelhos já possuem esse tipo de função para desbloquear a tela, mas a Apple se saiu muito bem contando uma história bem futurística de como o Face ID funciona.

 

 

Esse vídeo do The Verge mostra o quanto o Face ID é um marco ao mesmo tempo que é assustador. Quero dizer, essa coisa ‘escaneia’ sua cara com 30 mil pontos de infravermelho e ainda pode penetrar até mesmo seus óculos escuros. Isso é muito louco!

É óbvio que a Apple não usaria isso tudo apenas para permitir que você desbloqueasse seu smartphone. O Face ID permitiu não somente o desbloqueio do iPhone e o divertido (mesmo) Animoji – um app que usa seus movimentos para interagir com emojis – mas criou também um incrível modo de retrato para as fotos de um jeito que você nunca viu.

 

 

Qual a lição aqui? – você pergunta. E ela é, novamente, muito simples: se você pode transformar uma função em várias outras, por que não?

Alguns desenvolvedores, como esse aqui, já estão explorando a nova tecnologia. Até agora, nada de ‘realmente útil’ apareceu, mas o rapaz já mostrou o quanto o Face ID é revolucionário e que é extremamente provável que vejamos coisas muito legais próximos anos.

 

3. O futuro é movimentado

Oi?

Sim, é isso mesmo. Já é fato para alguns – os social media são um ótimo exemplo – de que conteúdo animado tem muito mais aceitação que conteúdo estático. Você pode comparar os plays de um vídeo em qualquer mídia social com os views de uma foto e provar isso.

O iPhone X não tem um botão home, e isso foi um risco que a Apple escolheu correr. E fez muito bem.

Agora, abrir, fechar e alternar entre apps usam gestos, e mais uma vez uma tecnologia ‘antiga’ ganha uma nova – e inovadora – função. Neste novo aparelho, tudo acontece com gestos e sensibilidade do toque. Isso já é usado nos iPhones anteriores (e em alguns outros aparelhos da marca), mas o fato aqui é um só: antes, o 3D Touch era uma opção de interação e agora é essencial.

 

 

Até acostumar, a gente vai fazer maior confusão – você diz.

De fato vai, mas como bons Y e Zs que somos – e após 10 anos com os smartphones fazendo cada vez mais parte do nosso dia a dia – acostumar com novas tecnologias não deve levar mais que uma semana.

Voltando aos movimentos e gestos, eu diria que eles são muito poderosos, pois fazendo o usuário interagir com o aparelho, fazemos com que ele torne-se parte da tecnologia.

E aqui temos duas lições em uma só.

Primeiro: o seu produto pode se tornar obsoleto tão rapidamente quanto você pode torna-lo inovador novamente. Só depende de você.

Segundo: fazer com que as pessoas se tornem parte do seu produto, fará com que o seu produto se torne parte das vidas das pessoas. Então sua marca deixa de ser uma opção e passa a ser essencial.

 

Por aqui, nós estamos muito animados para ver como a tecnologia ainda vai evoluir até o momento em que todos passaremos a usar roupas metálicas e não tenho dúvidas de que o design e a comunicação podem aprender muito com o desenvolvimento tecnológico e de novos produtos, até o ponto de fazer parte da vida das pessoas e que a comunicação una ainda mais a estética ao útil.

 

#EspalheIdeias